Paulistano e paranóico: Reunião familiar
11 05 2008
O dia das mães me obrigou a me desentocar de meu pacato refúgio de leitura para enfrentar a muito contragosto mais uma reunião familiar.
É preciso que o leitor compreenda que não há muito respeito reservado para um pretenso intelectual de 30 anos com pretensões literárias que vive com a mãe em uma família de fazendeiros, industriais e empreendedores bem-sucedidos. E o sentimento é mútuo.
Mas, enfim, desenvolvemos uma regra não dita que manteve nossos encontros semestrais em relativa harmonia. Eles não me perguntam “conseguiu achar um emprego de verdade ou ainda está no jornalismo” ou “você está namorando?” e eu evito tornar aparente a absoluta falta de cultura da trupe ao fazer perguntas sobre literatura, cinema, teatro ou de qualquer assunto que precise que necessite opinião e cuja resposta não se encontre na revista Veja da última semana. Por mais incrível que pareça, eu posso ser ácido e sarcástico quando quero.
Quatro grupos principais se formam naturalmente em rodas de conversa durante o aperitivo: As mulheres, os homens, as crianças e eu.
As mulheres conversam sobre moda, culinária e reforma da casa. E sobre cabelo. Deus do Céu, como acham tanto assunto sobre cabelo?
No front masculino era um tal de preço de gado pra cá, especificação de carro pra lá, opiniões futebolísticas, reclamações políticas, lembranças saudosas dos tempos de ditadura.
As crianças corriam de um lado para o outro dando finas em vasos que o arquiteto deve ter escolhido para embelezar o apartamento. E barulho. Faziam bastante disso também.
O quarto grupo se sentou e contou os segundos até o final daquele ato cerimonial com pessoas que não tem nada em comum além de algumas semelhanças em sua cadeia de DNA. Sim, é uma caprichosa brincadeira do universo te jogar no meio das pessoas com as quais você mais divide material genético e ao mesmo tempo esfregar na sua cara as indiscutíveis diferenças.
Pelo menos a comida estava boa.
por Solari
Solari, alguma vez eu já disse que adoro o jeito como você escreve? Pois é… Eu adoro!
Sei muito bem como é não combinar com a família… ¬¬°
Por isso eu já desisti dessas reuniões… Digo logo que tenho trabalho pra fazer! xD
Olá Léli, legal te ver aqui de novo.
A coluna é de semi-ficção. Na real as diferenças existem, mas acho que a minha imagem acaba sendo mais daquele sujeito engraçado e excêntrico do que de um fracassado. Rola um belo respeito de ambas as partes apesar das diferenças.
Mas quando era mais novo… putz, pelo menos na minha cabeça eu me sentia adotado não só pela minha família como por esse planeta.
Hoje menos.
Abraço
Eu sei! Eu sei! Eu saquei tudo! o/
Gosto do jeito como você conta seus “causos”… Mesmo que eles sejam de “semi-ficção”. =P
E eu tenho quase certeza que sou adotada… x_X” Sou “a ovelha negra da família”… ¬¬°
o/
ainda que a comida estava boa…
Meu Deus! Agora fiquei preocupada!
Para que Deus fez o verde, se já havia feito o azul e o amarelo?
Talvez porque pensou que com a diversidade a vida fica bem mais colorida!
Ainda bem que não existem só engenheiros, desembargadores, fazendeiros e doutores nesse planeta.
Mas que bom que eles existem também!!!!