Paulistano e paranóico: A dança robô

14 07 2008

Em um relato anterior, descrevi o meu colega de redação Alexandre como alguém que parece viver exclusivamente para a satisfação de seus desejos primários de futebol, sexo e bebida. E, em retrospectiva, creio que a descrição foi injusta para com ele. Ele é tudo isso, mas ele dança também.

Mil filósofos poderiam tentar por mil anos me explicar, mas mesmo assim eu não compreenderia o que é que leva alguém a desatar a dançar no meio de uma redação de jornal sem nenhum motivo em particular. Pois é isso o que acontece. Juro pra vocês

Meras palavras não podem fazer juz à experiência que é assistir à dança robô de Alexandre. A sua incidência não pode ser prevista por ninguém além do próprio dançarino. Tudo está calmo, você olha para o lado e BAM! o Alexandre está dançando.

Quando a famosa dança ocorre, a redação inteira é paralizada com um misto de risos e incredulidade. A movimentação em si consiste em uma bizarra mistura de break dos anos 80 com um moonwalk de um Michael Jackon bêbado que gira de costas em torno do mesmo eixo. A melhor imagem que eu posso conjurar para descrever o fenômeno é a de um cachorro que gira de costas em torno do próprio rabo. Como se tentasse atirar o traseiro para dentro do rosto ao invés do contrário.

Adicione a isso o lábio mordido de quem está certo de bailar como um Travolta e um gingado todo especial, que apenas o próprio Alexandre sabe replicar e terás um vislumbre de como é um dia mediano naquela redação.





Tecnosfera: The Last Stand

12 07 2008

Essa é uma excelente dica para aqueles que apreciam um bom filme de zumbi. O game em flash The Last Stand promete destruir a sua produtividade por algumas semanas. A premissa é simples, você precisa sobreviver noite após noite enquanto hordas de mortos vivos tentam invadir o seu acampamento. Você controla o seu personagem com as teclas WASD e manda bala clicando com o mouse.

O interessante é que existem alguns fatores de estratégia. Por exemplo, entre uma noite e outra você pode procurar armas melhores e até encontrar aobreviventes, que te ajudam a manter os mortos, bem, mortos mesmo.

Clique na magem e dê uma testada. Não é muito fácil mas vale a pena dar uma conferida.

por Solari





Paulistano e paranóico: Visita ao setor de publicidade

7 07 2008

Ditado pessoal 436: “Se a publicidade é a alma do negócio, o publicitário venderia a sua alma por um negócio”.

No universo de um de meus muitos livros não editados a publicidade é banida, sendo considerada uma magia mais terrível do que a necromancia. Bastaria você soltar um slogan que uma horda de camponeses munidos de tochas e tridentes o cercasse e o arrastasse para uma fogueira. Nesse mundo, a publicidade era praticada às escondidas em grutas isoladas ou catacumbas esquecidas. Enfim. Sonhar não custa nada.

Evito ao máximo o contato com publicitários, mas não pude evitar a interação com essa curiosa etnia uma vez que a impressora de meu andar quebrou e eu precisei descer até as profundezas do sétimo andar. Antro vil dos publicitários.

Antes de tudo; os termos. Eu até posso entender um ‘agregar valor’ ou ‘plugado’ aqui e acolá, mas para que raios ficar vomitando termos em inglês no meio da conversa? “Não temos data para isso”. “Qual é o target do paper?”. “Esse não é o meu job“. “Que horas é a meeting?”. “Prontos pro brainstorming?” E tome gadget, web, creative, busy, trash, fog. Eu sei o que você está pensando; que eu estou forçando a barra. Que os seres humanos ou os publicitários não falam assim na vida real.

Sinto destroçar a sua visão de mundo, mas, sim, eles falam assim. Basta certo tempo de convívio que para que o publicitês venha à tona. A grande ironia é que uma conversa um pouco mais aprofundada revela que o conhecimento de inglês de boa parte deles não passa do Hello, how are you? Como regra geral, pode-se afirmar que quanto mais ele utiliza os publicitês, menos inglês ele sabe na realidade.

Porém confesso que possuo alguns conhecidos que tolero com razoável facilidade que são publicitários. Eu tento, como exercício pessoal de auto-aprimoramento, enxergar sempre o lado bom das pessoas.

Das pessoas e dos publicitários também.





Tecnosfera: Como criar mapas no Google Maps

4 07 2008

O Google Maps é uma ferramenta extremamente poderosa, que faz coisas que eram impensáveis há algum tempo atrás (já faz um tempo que não ponho a mão em um guia físico de ruas e quando os GPS por celular se popularizarem e baixarem de preço eles estarão com os dias contados, em minha opinião).

Um das coisas mais interessantes para e fazer no Google Maps, especialmente para aqueles que gostam de viajar, é colocar fotos, observações e vídeos pelos lugares que você passou.

O vídeo acima do Google Brasil ensina como é fácil fazer uso da ferramenta. E se você seguir a dica, de um alô pra nós do Depressão, mostrando por onde você anda.

por Solari





Paulistano e paranóico: Maldito seja o Anderson

28 06 2008

[CC:Lukasz Maciak]

Você deve conhecer alguém como o Anderson. Ele é um “Cara do Computador”, aqueles sujeitos que entendem de computação o bastante para serem tolerados no setor de TI das empresas e reforçam o caixa indo na casa de velhinhas instalar a impressora ou dando aulas duas vezes por semana, ensinando-as a responder os e-mails dos netinhos e a fazer um perfil no Orkut.

Só que o Anderson é de uma subespécie dos Caras de Computador. Ele é o Cara de Computador Ativista do Software Livre. Essa curiosa raça insiste em instalar o Linux em um computador que veio com o Windows Vista, reclama que o Photoshop é uma porcaria, não chega perto do Media Player, só usa o BrOffice e frequenta fóruns de discussão de programadores do Linux. MSN? Nem pensar!

A mochila do Anderson é o que você esperaria de um paramédico caso ele atendesse computadores. Temos uma dúzia de DVDs em um case, distribuídos como os bisturis de um cirurgião. Um antivírus, windows Vista e XP (”para os não-convertidos que insistem em sofrer”), pen drives com programas de diagnóstico, um laptop para análises, programas de antivírus e toda uma penca de softwares que seus clientes costumam pedir.

Fui falar com ele. Tinha a tão comum reclamação de que o meu computador estava lento de um tempo para cá. Me senti um marido indo reclamar com o terapeuta que sua esposa não estava mais tão fogosa quanto antes.

“Que plataforma você tem na sua máquina”, ele perguntou, como um sábio medieval que pondera a questão trazida por um humilde camponês. “Windows XP”, respondi. “Aah… mas esse que é o problema. Você precisa ficar rodando um monte de antivírus e spyware de fundo e ele fica devagar mesmo. Sabe qual é o nome do melhor antivírus que existe?” Respondi que não e ele prosseguiu falando com o tom didático de um professor que ensina as verdades da vida a uma criança. “Linux!”, respondeu em um tom oratório, seu dedo em riste.

Pois ele me deu um CD do Ubuntu (para os ‘não iniciados’, as diferentes versões brasileiras do linux possuem nomes indígenas, para potencialidar a sensação de que estamos protegendo a soberania nacional frente as mega-corporações estrangeiras). Coloquei o dito cujo no meu computador e reiniciei. “Você quer instalar o Ubuntu?” perguntou a máquina, em uma interface que me lembrou os velhos dia de DOS.

E aí ele instalou o Ubuntu… DEPOIS DE APAGAR TODO O MALDITO CONTEÚDO DO MEU COMPUTADOR. Entenda a magnitude da perda, leitor. Sou um homem de idéias. Prezo mais as coisas que escrevo e leio do que o lugar no qual moro, as roupas que visto e até mais do que minhas memórias. Por sinal, ao revisitar textos antigos, lembro da minha vida na época na qual eles foram escritos mais do que ao observar fotografias. O Ubuntu apagou um naco da minha alma.

Liguei enfurecido ao Anderson e disse que ele não tinha me falado que eu precisava fazer uma cópia de tudo. “Ué, mas todo mundo sabe que precisa, você não sabia?”. Claro que sabia, Anderson, apaguei mesmo assim só por diversão.

Agora o meu computador está ali parado enquanto consulto outros Caras do Computador que saibam de uma maneira de recuperrar os meus bebês. Se não der certo, vou desembolsar uma nota para uma empresa especializada e em último caso, vou enterrar a máquina na esperança que ela seja descoberta por gerações futuras que possuam a tecnologia para recuperar meus textos e quem sabe lê-los mais uma vez. Sniff.

por Solari





Tecnosfera: A morte do ‘.com’

26 06 2008

[CC:Tee Jay Hanton]

A agência norte-americana que regula a internet (sim, a internet é sim regulada por uma agência americana) determinou novas regras para o registro de nomes na internet que serão válidos a partir de 2009. A mudança da ICANN que mais chama a atenção é o fim das terminações fixas (.com, .net, .org, .br e assim por diante) em lugar a terminações personalizadas. Assim, será possíveis a existência de sites como itau.banco, globo.emissora, prefeitura.saopaulo, paulo.coelho e assim por diante. Confira a matéria do G1 a respeito:

http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL615151-6174,00.html

E aí, vocês acham a medida bem vinda, ou só vai complicar ainda mais a vida?





Paulistano e paranóico: O arraial de Jesus

23 06 2008

[CC/Perla]

O sábado à noite veio até mim repleto de promessas de bons momentos em meio aos clássicos da literatura. Minha mãe saiu para um encontro com suas amigas senhouras garantindo sossego madrugada adentro.

Observei atento minha estante. Ainda decidia se iria me entregar a contos machadianos, Dickens ou Milton, quando meus ouvidos foram violentados pela mais vil e estridente música pseudo-caipira, daquelas típicas da cidade grande no mês de junho.

Coloquei a cabeça para fora da janela, tentando encontrar a fonte daquela verdadeira afronta à paz e tranqüilidade. Na avenida à frente de meu apartamento, a menos de um quarteirão, discerni a origem da bagunça. Em uma faixa bem grande em frente à entrada do templo evangélico lia-se: “Bem Vindos ao Arraial de Jesus!”. É preciso dar o braço a torcer ao universo e seu senso de humor.

O templo evangélico nunca havia me incomodado até aquele dia. Apesar da proximidade e generosidade do som, os cultos ocorrem durante os dias de semana, em momentos nos quais me encontro fora de casa a trabalho. A música junina era brega e excessiva, mas em pouco tempo comecei a me acostumar com ela e consegui ler sem maiores dificuldades. Acreditava mesmo que nem tudo estava perdido, que talvez o universo tenha lá a sua piedade para pobre solitários cuja principal fonte de divertimento na semana é ler entre goles de um vinho tinto de qualidade aceitável.

E então começou a quadrilha. Mas não qualquer quadrilha, não, era uma tal “quadrilha do senhor”. Entre um ou outro “olha a cobra”, ouvía-se em seguida “aleluia senhor!”. Como a maldade é amiga da ironia, o arraial durou até o raiar do Sol. Juro pra vocês.





Tecnosfera: Smelly Cat

21 06 2008

Gosto muito de curtas de animação, mas, salvo o Anima Mundi, sempre tive dificuldade em encontrar boas fontes para ficar mais em contato com essa forma de arte. Por esse motivo, fiquei muito feliz ao encontrar o Smelly Cat.

O Smelly Cat é um dos maiores blogs do Brasil voltados para a animação. Vira e mexe aparece umas gemas como a animação Fallen, sobre um asteróide que ganha consciência ao entrar na atmosfera da Terra, o curta The Clocktower, sobre uma bailarina que precisa aceitar o seu verdadeiro lugar no mundo. Para algo mais surreal e beem somrbio, vale dar uma olhada na Elephant Girl.

No entanto, existem centenas de animações do blog, quase todas de qualidade excepcional. Quem curte o gênero não pode pedir mais.

A única ressalva é o host da maioria dos vídeos. O Videolog é menos amigável que o Youtube com configurações e conexões lentas. Eu casa ele roda bem, mas já tive alguns problemas em outros computadores. Mas se rodar, poucas fontes são taõ boas quanto o Smelly Cat para amantes da animação.

por Solari





Paulistano e paranóico: World Naked Bike Ride

16 06 2008

[clique na imagem para matéria do G1 sobre o ocorrido]

Testemunhei uma cena um tanto inusitada. Voltava eu de minha aula de mandarim, quando percebo um trânsito na Avenida Paulista de intensidade incomum para um sábado à tarde. Pensei que poderia ser outro protesto dos “sem-grana”, termo genérico que utilizo para boa parte das manifestações da cidade. Porque, convenhamos, é no final das contas isso que pede 90% dos protestos que vi em São Paulo, sejam de professores, bancários, motoristas ou enfermeiros. Nada como mexer no bolso para mobilizar o senso de cidadania nas pessoas.

Alguém pede ao motorista do ônibus que abra a porta e aproveito para descer também, disposto a andar alguns quarteirões a mais ao invés de ficar sentado fritando ao sol. Em pouco tempo vejo os tais sem-grana se movendo de bicicleta em minha direção. “Estranho…”, penso eu. “Parece que não é só grana que essa gente não tem…”

Eram centenas de ciclistas semi-nus, de ambos os sexos. Muitos com os corpos pintados e um ou outro completamente pelado. Em volta do grupo, corriam algumas dezenas de membros da imprensa, de fotógrafos a cinegrafistas, e um sem-número de curiosos observando com os braços cruzados.

De repente acontece um reboliço na minha frente. Policiais começam a prender um homem completamente nu e os demais ciclistas começam a empurrar os policiais que jogam um spray na multidão (spray de pimenta, pelo que vi depois em uma reportagem. clique na imagem para ler e conferir o vídeo). Pelo menos dois outros homens e uma mulher sem roupa conseguiram fugir para o meio dos manifestantes, evadindo os policiais.

Descobri depois que o protesto faz parte do World Naked Bike Ride, uma manifestação mundial para incentivar a utilização das magrelas nas cidades e diminuição da cultura do automóvel. Nada contra isso, mas gostaria de fazer apenas duas ressalvas sobre o protesto.

Chame-me de conservador, mas acho que não jamais conseguiria ficar confortável andando nu de bicicleta. Sei lá, aquele monte de aros e correias girando perto de minhas partes privadas é o bastante para dar um gelo na minha espinha agora, só de imaginar. E se cair então? Imagine o que deve ser se esfolar pelado pelo asfalto. Botem uma tanguinha pelo menos, pessoal. Não custa nada.

E chamem-me de fútil se quiserem, mas, gente, o paulistano médio não é exatamente um Adônis ou uma Afrodite quando despido. Somos em nossa maioria uma raça noturna, com o rosto permanentemente cansado devido ao excesso de trabalho e o corpo deformado por uma dieta com café demais e frutas de menos. A roupa é um adereço válido que deflete a atenção de nossa inadequação física para nossos dotes intelectuais.

Admito que eu sou bem branquelo (sou daquelas pessoas que vira e mexe é abordado com alguém que insiste em colocar o antebraço ao lado do meu e exclamar: “Nossa! Você consegue ser mais branco que eu!“), mas, pelos Céus, tinha pessoas ali que eram brancas ao ponto de ofuscar a vista! Eu não acredito que estou falando isso, mas essa gente devia sair mais de casa e ver o Sol de vez em quando.

Enfim, rompantes de reclamação à parte, acho que o protesto foi válido, e apóio sim proposta. Até tive a idéia de organizar um World Naked Book Reading, onde tomaremos a cidade com centenas de leitores pelados para difundir a importância da literatura. Alguém aí se habilita a participar do protesto?

por Solari





Tecnosfera: Cem games do NES

14 06 2008

Essa dica é para todos aqueles que curtem os bons e velhos jogos do nintendinho. Uma página da nintendo8.com contém nada menos do que 100 jogos prontos para serem relembrados.

O legal é que é muito simples de jogar, basta clicar no escolhido e controlar com as setas e Z e X como botões.

Alguns games de lá que que valem a pena uma relembrada são o Contra, as Tartarugas Ninja, Double Dragon, Paperboy, Megaman, Ducktales, Skate or Die e muitos outros.

Clique na imagem para a lista completa dos jogos e bom fim de semana perdido pra vocês.

por Solari