Cultura e Adjacências: Salas de Cinema na Blogosfera

6 06 2008

Conheci o blog “Salas de Cinema de São Paulo” (salasdecinemadesp.blogspot.com) no ano passado. Eu precisava de algumas imagens e informações sobre cinemas antigos da capital e acreditava que a internet fosse um poço vasto de referências. Estava enganado. São poucas as iniciativas que buscam registrar com profundidade essa história na web e, entre elas, o mencionado blog, de autoria de Antonio Ricardo Soriano, se destaca.

O espaço, criado por Soriano, traz informações sob diversas formas. Há desde textos opinativos do autor sobre a evolução dos espaços de cinema até artigos acerca do tema muito bem peneirados em veículos informativos, portais institucionais e algumas outras fontes. Além de tudo, o “Salas de Cinema de São Paulo” é aberto aos interessados em contribuir com o projeto, e tem como objetivo - como indicado na própria abetura do blog - a coleta de textos sobre as antigas e atuais salas de cinema.

Minha idéia inicial era escrever um artigo sobre o “Salas de Cinema de São Paulo”. Entrei em contato com Soriano e enviei-lhe algumas perguntas, que foram prontamente respondidas. Após sua leitura, cheguei à conclusão de que a melhor forma de postar a coluna desta semana seria fazer uma breve introdução e concluir o texto transcrevendo as respostas do criador do blog. Não deixem de conferir o projeto.

Depressão: Como surgiu a idéia do blog?

Soriano: Com meus 16 anos de idade (1986) já tinha a vontade de criar e fazer algo diferente. Naquela época tive a idéia de fazer um fanzine, inspirado na ótima revista Cinemin, que eu colecionava. Chamei dois primos para me ajudar e saiu o Cine Fanzine, que era distribuído no Cineclube Oscarito, na Praça Roosevelt. Fomos até chamados para uma entrevista, ao vivo, na TV Cultura, no programa Imagem & Ação, apresentado pela Claudia Matarazzo.

A idéia do blog nasceu da “saudade imensa” que sinto do cine Comodoro Cinerama. Visitei este cinema, pela primeira vez, em 1980. Fiquei maravilhado com o filme (Xanadu) e com o cinema, que era enorme, tela gigantesca e som potente e de extrema qualidade. Resultado: fiquei apaixonado por cinema. Passei a colecionar tudo sobre o assunto, inclusive trilhas sonoras. E passei a freqüentar, sempre, o Comodoro.

Dessa saudade, veio a idéia de se fazer um site sobre ele. Comecei a fazer algumas pesquisas na internet e acabei encontrando alguns “textos apaixonados” pelo mesmo cinema. Escrevi para os autores deste textos e pedi autorização para publicar. Com respostas positivas passei a ter os primeiros conteúdos do blog. Daí trabalhei no Lay-out, recuperei um texto meu, que tinha guardado à muito tempo, para enfim nascer o blog “Salas de Cinema de São Paulo”.

Depressão: Que retorno você tem recebido dos internautas que acessam o espaço?

Soriano: É ótimo receber e-mails com elogios e palavras de incentivo, por isso faço questão de publicá-los no blog. Às vezes, recebo algumas críticas e correções, mas acho isso construtivo.

Depressão: Qual sua avaliação sobre os espaços de cinema nos dias de hoje?

Soriano: As telas, geralmente, são pequenas (no Comodoro, por exemplo, a tela era tão grande que tinhamos que virar o pescoço para curtirmos o visual de toda a projeção na tela). O som é muito simples, vindo somente da parte frontal das salas (no Comodoro, por exemplo, ouviámos os sons vindo de trás, das laterais e da frente. Quando olhavamos para trás, em direção à cabine de projeção, viamos poderosas caixas acústicas da Sony com falantes de 12 polegadas, fixadas no frontão da platéia superior). Há cinemas com o sistema de som THX (do George Lucas), acredito que o som destas salas seja melhor. Ainda não visitei estas salas. Gosto muito da localização da maioria das salas atuais, os shopping centers. Gosto bastante. São locais ideais. Pois temos estacionamento, segurança, refeições e lojas de todo tipo, etc. Mas os cinemas precisam diminuir a quantidade de salas e melhorá-las aumentando o tamanho das telas (de preferência 70 mm.) e “turbinando” o som.

por Thiago





Desporto: Poção Mágica

29 03 2008

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Concentração

Rita estava de olho em José. Tentava fisgar o rapaz de tudo quanto era jeito: teatro, estudo na biblioteca, “um restaurantinho especial lá na Lapa”… José não queria compromisso. Aliás, adorava secretamente sua fama de conquistador.

1º Tempo

Numa quinta-feira, tocou o telefone na casa da garota. Após dois minutos de conversa, Rita correu para o quarto, se produziu e saiu linda como nunca. Disse para a mãe que aquele seria o dia. José havia sido premiado num festival de cinema e queria comemorar com seus “amigos íntimos”. Rita tomava conhecimento então desta intimidade.

Doze pessoas na mesa. Ela ao lado dele, sempre. Quarta rodada de bebidas, já havia falado sobre o último lançamento de Nelson Pereira dos Santos, de como admirava Antonioni, sobre sua aversão a Manoel de Almeida; citou Allen, Godard, Saura, Moodysson, Altman, Zoncka – havia feito a lição de casa.

2º Tempo

Rita foi ao banheiro retocar a maquiagem. Olhou para o espelho decidida, sabia que quando voltasse tornaria concreto aquilo que ambos, ela e José, estavam sentindo um pelo outro. Voltou para a mesa e o músico que se apresentava naquela noite chamou o rapaz para uma canja. José tocava um cavaquinho sem vergonha, mas era o novo orgulho do bairro; havia até dado o troféu do festival para seu Osório, dono do bar, que o colocou numa estante especial, junto com artigos e fotos de “notáveis da região”. Rita podia esperar mais um pouco.

Prorrogação

Após executar duas canções do Cartola e uma do João Nogueira, José estava de volta em sua cadeira. Sentia-se cansado, emocionado e alegre como nunca. Sorriu - aquela imagem ela nunca esqueceu. Rita o chamou; ele não ouviu. Teresa sentou-se do outro lado. Rita chamou-o mais uma vez, agora timidamente; Teresa disse “parabéns”, quase ao mesmo tempo. José segurou a mão de Rita e olhou para Teresa, que usava uma corrente com um pequeno pingente onde havia gravado o escudo do Flamengo. Sorriu – aquela imagem ela nunca esqueceu. Cinco minutos de conversa e Teresa escalou o campeão mundial de 81: “Raúl, Leandro, Mozer, Marinho, Júnior… Espera aí, péra aí… Tita, Andrade… Lico, Zico, Nunes…”. Faltava um, e José a disse que se acertasse, lhe daria um beijo.

Súmula

Rita odeia futebol e mais ainda cinema. Também passou a odiar José e Teresa, que tiveram quatro filhos. O mais velho, Adílio.

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por Thiago