Desporto: Reminiscências do Sonho

5 04 2008

Em 1992, o Dream Team, equipe formada por jogadores da NBA, encantou o mundo nas Olimpíadas de Barcelona. Assim que houve a liberação – atletas profissionais antes não podiam participar de competições olímpicas –, todos sabiam que o torneio de basquete seria uma barbada: Charles Barkley, Larry Bird, Clyde Drexler, Patrick Ewing, Magic Johnson, Michael Jordan, Karl Malone, Chris Mullin, Scottie Pippen, David Robinson, John Stockton, Chris Mullin e Christian Laettner. O técnico era o bicampeão da NBA pelo Detroit, Chuck Daly.

Levanto o assunto Time dos Sonhos para trazer algumas passagens interessantes a seu respeito que ficaram em minha memória:

1. Além dos atletas da NBA, um jogador universitário foi convocado: Christian Laettner. Dois atletas competiam por esta vaga, sendo eles o próprio Laettner, mais o hoje já lendário Shaquille O´Neal. Todos sabiam que o fenômeno ali seria O´Neal, mas, como Christian havia sido campeão – e também jogado com grande destaque, é claro – pela universidade de Duke, foi o escolhido. Shaq era atleta da LSU;

2. Larry Bird estava em fim de carreira na época dos jogos, e tinha alguns problemas físicos que provavelmente aceleraram o desfecho. Durante a competição, Bird sofreu com crônicas dores nas costas e, em um ou alguns jogos, não me lembro exatamente, deitou-se próximo ao banco de reservas – “para dar uma esticada” –, o que foi considerado ato de desrespeito, erroneamente, por algumas pessoas;

3. O pivô mais técnico que já vi jogar foi o lituano Arvydas Sabonis, que teve uma boa passagem pela NBA na fase final de sua carreira. E Sabonis foi o responsável pelo episódio de maior constrangimento que o Dream Team enfrentou em 1992, ou melhor, constrangimento de um de seus atletas, David Robinson, outro excelente pivô. Robinsou levou dois tocos seguidos de Sabonis, em jogo dos EUA contra a Lituânia, e teve que aprender com o mestre, na prática, quem era o dono do garrafão;

4. Era extremamente visível a diferença física entre os jogadores do Dream Team e os atletas do resto do mundo. Hoje em dia – tempos em que a seleção norte-americana perdeu sua supremacia –, há um nivelamento, que chega a tal ponto que boa parte das estrelas na NBA é formada por estrangeiros. Não, não estou misturando as coisas. Nem quero dizer que o melhor rendimento dos EUA na competição se deu por causa da condição física da equipe, isso seria um absurdo. Mas que esse desnivelamento deixava tudo mais fácil, não restam dúvidas. A geração de atletas norte-americanos que jogou em 1992 era especial e melhor preparada fisicamente, por isso o massacre.

O Dream Team passou para a história como a maior seleção de basquete já montada, uma espécie de Brasil na Copa de 70 para o futebol. Houve muitas histórias durante seu período de formação e posterior passagem pela Espanha. Despretensiosamente, conforme for recordando, pretendo registrá-las por aqui, sem pesquisas complementares, tentando assim manter minhas impressões àquela época, quando tinha 12 anos e o que via dentro das quadras espanholas justificava o apelido dado à seleção campeã.

por Thiago