Cultura e Adjacências: O Daiquiri

10 04 2008

Uma boa estratégia para o comerciante, principalmente aquele que lida com segmentos mais supérfluos, é investir nos produtos um valor simbólico por serem de predileção de figuras ilustres. “O Tom Jobim adorava essa queijadinha; sempre que passava por aqui levava uma”, poderia dizer o dono de uma padaria no Rio. “Olha, o Plínio Marcos sempre pedia o “bauru da casa”, mas mandava trocar o queijo prato por queijo minas. Quer que eu troque o seu também?”, e o cliente, todo embasbacado, diz “queeeero”.

Certa vez, observando uma bancada com bebidas em dia de festa, passava por minha cabeça aquela perguntinha: “O que vai hoje?” - questão fundamental pelo menos para mim, que sigo a trilha da primeira “espécime etílica” adotada até o fim de cada evento. Então, surgiu a história do Hemingway, contada por um tio, que transmito a vocês nas palavras da repórter Michelle Alves de Lima, em artigo publicado no caderno Paladar, do Estadão, há quase um ano: “O daiquiri nasceu à beira-mar, mais precisamente na costa da província oriental de Cuba, na praia homônima. Sua criação é atribuída ao engenheiro Jennings Cox, chefe das tropas americanas que desembarcaram na região por volta de 1898. ‘Dizem que os integrantes das tropas criaram a canchánchara, bebida tradicional de Cuba feita com rum e mel, e que foi a partir dela que Cox criou o daiquiri’, contou, por telefone, Katiuska Criado, do El Floridista, bar cubano considerado o “berço” do drinque. ‘Foi o bartender Constante Ribalagua quem trouxe a bebida para Havana. Ele servia Hernest Hemingway quando ele vinha ao El Floridita’, complementa”.

Na verdade, meu tio somente disse que Hemingway gostava do drinque - que acabou difundindo -, sem outros detalhes. Mas foi o suficiente para que eu aderisse ao rum naquele dia, seguindo esta simples receita:

1 - Adicione pedras de gelo na coqueteleira e coloque 1 colher (sobremesa) de açúcar;

2 - Acrescente o suco de 1/2 limão e 1 dose de rum prata. Para caprichar, use limão galego;

3 - Bata tudo na coqueteleira por 15 segundos. Sirva em taça de martini já resfriada.

Aliás, há rumores de que Chimbinha, da banda Calypso, teria dito que o daiquiri cai muito bem com o tradicional “pato no tucupi”. Empolgou?

por Thiago