Cultura e Adjacências: E no fim do túnel…

3 07 2008

Num desses especiais sobre o Chico Buarque originalmente produzidos pela TV Bandeirantes e que agora são vendidos em caixas, com 3 DVDs cada, o compositor fala um pouco sobre como funciona seu processo de criação. Chico aponta uma dificuldade maior nos casos em que precisa colocar letra em melodias já prontas - ele fala do problema das rimas, da questão da prosódia musical (tônica das palavras respeitando a tônica da música), do desrespeito intencional à prosódia, etc… E no fim, como diz, aquilo tudo tem que fazer algum sentido - e soar bem.

Um exemplo de bom resultado dessa relação texto e melodia é a velha “Crying in the rain”, que conta a história de um sujeito que sofreu uma desilusão amorosa, mas não quer demonstrar para a mulher que ainda ama que está com o coração partido - e diz que vai chorar na chuva, para que ela não se dê conta daquela situação complicada. O texto se encaixa, nessa canção, perfeitamente com os altos e baixos da melodia, enfatizando cada frase do personagem desiludido. Letra e música, a seguir:

I’ll never let you see /The way my broken heart is hurting me /I’ve got my pride and I know how to hide /All the sorrow and pain /I’ll do my crying in the rain

If I wait for cloudy skies /You won’t know the rain from the tears in my eyes /You’ll never know that I still love you /So though the heartaches remain /I’ll do my crying in the rain

Raindrops falling from heaven /Will never wash away my misery /But since we’re not together /I’ll wait for stormy weather /To hide these tears I hope you’ll never see

Someday when my crying’s done /I’m gonna wear a smile and walk in the sun /I may be a fool but till then, darling, you’ll never see me complain /I’ll do my crying in the rain


Mas a verdade é que percorri esse caminho só para postar o vídeo acima, dos Everly Brothers. A gente costuma relembrar os grandes nomes das chamadas primeiras levas do rock´n roll - Elvis, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash, Bo Didley, Buddy Holly, etc - mas sempre se esquece dessa dupla. Com harmonias vocais inimitáveis, os dois irmãos fizeram sucesso no final dos anos cinquenta e começo dos sessenta e influenciaram grandes nomes do rock. Eles colocaram quatro canções no primeiro lugar da parada norte-americana, entre elas “Crying in the rain”, que, na versão acima, já é cantada por uma dupla quarentona, num concerto daqueles do tipo revival, com direito a smoking e pout-pourris.

Os Everly Brothers não carregavam a pecha de meninos maus do rock no auge de sua carreira, como acontecia com outros músicos do período. Nem suas canções tratavam de temas que pudessem estimular rotulações nesse sentido. Mas nos muito bem tocados violões dos jovens Don e Phil Everly, com a graça do bom deus, o capeta se manifestava! Para nossa sorte, hehehe…

por Thiago





Cultura e Adjacências: Deletemos

3 04 2008

Havia postado um texto com o título “Enxaqueca Emo” pela manhã.

Assim que acionei o botão publicar, fiquei encafifado, como diria o outro. Por quê atacar o rock emo? Devido ao fato de eu não ter mais 16 anos e achar que qualquer rádio rock - existe isso ainda?! - devia tocar Nirvana ou Pearl Jam, que era o que tocavam quando eu tinha 16 anos?

Nãnãnã… Injusto.

Aliás, a investida sobre a música emo, confesso agora, foi de improviso. Iniciei a nota falando sobre a dissolução do Sepultura, e continuei-a discorrendo sobre o fim do The Clash - a maior banda punk de todos os tempos, repito; depois, mencionei declarações atuais de alguns dos membros dos dois conjuntos, justificando os desentendimentos pelo excesso de turnês sucessivas, e que hoje, com mais experiência, entendem que com um mês de férias tudo seria resolvido (aliás, pensei até em citar o The Police nesse contexto, mas acho que não é bem o caso; o Sting é meio mala mesmo). O fato é que não achava um final, então… paulada no rock emo. E olha que nem tenho ouvido muito rock, menos ainda no rádio, onde dificilmente tiro da 89,7.

Mas vamos fechar aqui com uma boa notícia, a volta do Stone Temple Pilots. Que não tem nada de emo - só para registro.

por Thiago